24 de novembro de 2014

“A memória que me contam” encerra ano do Imagens em Pauta

Simone Spoladore e Irene Ravache protagonizam drama sobre vidas atravessadas
pela violência do regime militar

Assessoria - Um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar se reencontra e reavalia o passado, enquanto um de seus integrantes está à beira da morte em “A memória que me contam” (2013, 100 minutos), de Lúcia Murat, atração dessa terça-feira, 25 de novembro, às 19:00, no Cine Sesc Arsenal. Classificação indicativa: 16 anos.

O filme encerra o oitavo ano de exibições do “Imagens em Pauta”, projeto realizado pelo Sesc Mato Grosso em parceria com a Pró-reitoria de Cultura, Extensão & Vivência, Cineclube Coxiponés e Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso. Nesse ano, o projeto teve curadoria de Diego Baraldi e Thais Peruare, e contou com a colaboração criativa de Wellinton Nascimento, Maurício Rodrigues, Rafael Rosa da Silva e Johnny Nunes. Foram exibidos 32 filmes entre os meses de março a novembro, em sessões semanais, sempre seguidas de bate-papo com os participantes e do cappuccino na área interna da Choperia Arsenal.

Em 2014, a programação do Imagens em Pauta foi constituída de ciclos rápidos dedicados a parte da filmografia dos cineastas Hiroshi Inagaki, François Truffaut, Howard Hawks, Vincente Minnelli, Nicholas Ray e Woody Allen. Também foram realizados, no segundo semestre, três ciclos temáticos: Cinema Francês Recente, Paixões e Intensidades e o atual Vestígios da Ditadura. Como é característico do projeto, são exibidos filmes autorais e que dificilmente encontram espaço no circuito comercial de cinemas de Cuiabá.

Sobre o filme
A ex-guerrilhera Ana (Simone Spoladore), ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene (Irene Ravache), uma diretora de cinema que sente-se perdida diante da morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo (Franco Nero), seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.

O roteiro foi buscar na realidade a personagem Ana. Seu perfil é inspirado em Vera Sílvia Magalhães (1948 - 2007), amiga da cineasta Lúcia Murat, cujas ações ousadas desnortearam durante anos as forças do regime militar. Vera foi a única mulher no grupo que sequestrou o embaixador americano Charles Burke Elbrick para obter a libertação de presos políticos. Capturada pelo regime, foi torturada e, posteriormente, teve que lidar com as múltiplas sequelas da violência de que foi vítima.

Homenageada da 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul (atração no Cine Sesc Arsenal na semana passada), a carioca Lúcia Murat é uma das poucas cineastas brasileiras que estiveram profundamente envolvidas com os movimentos políticos de resistência ao golpe. Presa em 1971, levou suas experiências com a tortura e o encarceramento para as telas na carreira que viria a desenvolver após o fim da ditadura, em filmes como Que Bom Te Ver Viva (1989), Quase Dois Irmãos (2004) e Uma longa viagem (2011).



Serviço
O quê: A memória que me contam, de Lúcia Murat
Quando: Terça-feira, 25 de novembro, às 19:00
Classificação indicativa: 16 anos
Entrada Gratuita 

Nenhum comentário:

Postar um comentário