15 de maio de 2013

As chanchadas brasileiras


Tyrannus Melancholicus Mostra de Chanchadas Brasileiras. É o que começa hoje (15/05), no Sesc Arsenal, e se estende até o domingo (19/05). São nove títulos representativos dessa fase do cinema brasileiro, onde predominava o humor ingênuo de grande apelo popular, sendo que boa parte dos filmes parodiava o cinema americano que bombava naqueles tempos.

As chanchadas se destacaram no cinema nacional, pelo menos, durante trinta anos, de 1930 a 1960. A abertura da Mostra vai contar com a presença de Afrânio Mendes Catani, professor/doutor da USP, e pesquisador do cinema brasileiro. Ele faz palestra a partir das 19h30, gratuita, assim como todas as sessões.

Um desfile de ótimos artistas do cinema brasileiro, como Mazzaropi, Grande Otelo, Zé Trindade, Oscarito, Dercy Gonçalves, Zezé Macedo etc. Entre os diretores estão nomes como Carlos Manga, Aloísio Carvalho e Milton Amaral. Não por acaso, a mostra será fechada com o documentário "Assim era a Atlântida", de 1974, produtora carioca que foi soberana no cinema tupiniquim por muitos anos.


 A sessão desta quarta tem início logo após a palestra do pesquisador Afrânio Catani. Às 20h30 rola "O batedor de carteira" (1958, Aloísio de Carvalho, 84 minutos). Estão no elenco Zé Trindade, Violeta Ferras, Edmundo Carijó, Nancy Wanderlei e outros. Na história, um malandro carioca que age na região da Central do Brasil começa a namorar um moça nordestina recém-chegada ao Rio de Janeiro. A moça logo é contratada para trabalhar como empregada doméstica na residência de uma madame rica, sem saber que o malandro e seus comparsas estavam planejando assaltar a casa. Para maiores de 12 anos.

"A baronesa transviada" traz Dercy Gonçalves no elenco Sessão mais cedo na quinta-feira (16/05), às 19h. Em cartaz "O jovem tataravô" (1936, Luiz de Barros, 61 minutos). Classificação indicativa para 10 anos. O jovem tataravô, na verdade, morreu em 1832, mas, mais de 100 anos depois e graças a um pozinho que faz voltar ao mundo o mais enterrado dos mortos, ele ressurge no seio da terra pronto para causar a maior confusão. Marcel Klass, Dulce Weytingh, Darcy Cazerré, Luiza Fonseca comandam o elenco.

Dia 17/05, sexta, "O Lamparina" (1964, Glauco Mirko Laurelli, 104 minutos), em sessão às 19h, filme para maiores de 10 anos. Amácio Mazzaropi, Geny Prado, Zilda Cardoso e Emililano Queiroz, entre outros, estrelam. Perambulando com a família em busca de emprego, Bernadino se envolve com o grupo do cangaceiro Zé do Candieiro. Com o intuito de prender os foras-da-lei, durante a madrugada, o caipira desarma todos, mas, no momento da prisão, Zé do Candieiro foge e Bernadino parte em seu encalço.

"Nem Sansão, nem Dalila" (1955, Carlos Manga, 90 minutos) narra a trajetória de um humilde barbeiro que é transportado para uma “época antes de Cristo”, por uma máquina do tempo apresentada numa conferência científica. Lá se torna o poderoso Sansão e se vê às voltas com manobras de poderosos políticos locais que procuram privá-lo de suas forças com os encantos de Dalila. Filme livre para todas as idades, em sessão mais cedo no sábado (18/05), às 17 horas. Atores como Oscarito, Fada Santoro, Cyll Farney, Eliana, Carlos Cotrim no elenco.

Com classificação indicativa para 10 anos, "A baronesa transviada" (1957, Watson Macedo, 108 minutos) traz o desempenho de gente como Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Humberto Catalano, dentre outros. Na história, uma manicure, ao receber uma herança, resolve investir na produção de um filme carnavalesco, enquanto os parentes da baronesa que a beneficiara tentam armar um golpe contra ela. A sessão começa às 19h, no sábado (18).

"O homem do Sputnik" (1959, Carlos Manga, 98 minutos) é a terceira e última sessão do sábado (18). Às 21h, com classificação livre para todas as idades. Oscarito, Cyll Farney, Zezé Macedo, Neide Aparecida, Alberto Perez nos papéis principais. O filme narra a vida de uma casal criadores de galinha que se transforma numa grande confusão, depois de um satélite artificial, muito parecido com o russo Sputnik, cai no galinheiro de sua casa, matando alguns animais. Para recuperar o prejuízo, o homem tenta penhorar o objeto e é descoberto pela namorada de um jornalista. O fato repercute, chamando a atenção de espiões internacionais, e logo líderes russos, norte-americanos e franceses passam a mandar missões ao Brasil, com o objetivo de recuperar o satélite. Uma curiosidade: à época da realização do filme, o famoso satélite russo Sputnik estava em órbita e havia mesmo uma ameaça de que ele viesse a cair sobre a Terra.

No domingo (19/05), mais três sessões para fechar a Mostra de Chanchadas Brasileiras. os atores Amácio Mazzaropi, Elizabeth Marinho, Lucia Lambertini encabeçam o elenco de "O corintiano" (1966, Milton Amaral, 100 minutos), filme livre, às 17h. Comédia protagonizada pelo grande ator brasileiro Mazzaropi que narra a paixão do brasileiro pelo futebol e a rivalidade histórica entre Corinthians e Palmeiras. Aqui Mazzaropi é “seu” Manuel, barbeiro fanático pelo Corinthians capaz de loucuras.

Às 19h rola "Matar ou correr" (1954, Carlos Manga, 100 minutos), para maiores de 12 anos. Belo trio no elenco: Grande Otelo, José Legoy e Oscarito. Conforme o próprio título sugere, trata-se de uma paródia dos filmes de faroeste. Na cidade de City Down, dois vagabundos, Kid Bolha (Oscarito) e Cisco Kada (Grande Otelo), acidentalmente nocauteiam o temido bandido Jesse Gordon (José Lewgoy) e são nomeados xerifes.

"Assim era a Atlântida" (1974, Carlos Manga, 105 minutos), documentário para maiores de 10 anos, tem sessão às 21h. A Atlântida Cinematográfica ficou conhecida por suas famosas chanchadas ou comédias populares. O público lotava os cinemas, reverenciava seus ídolos, jamais houve uma sintonia tão grande entre o cinema brasileiro e o espectador. O documentário reúne trechos dos principais filmes que sobreviveram a um incêndio nos estúdios da empresa, em 1952, e uma inundação em seus depósitos em 1971.

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