18 de março de 2013

Feira gastronômica e cultural vira referência em Cuiabá


Midianews - Um feirão de ideias, produtos e manifestações artísticas, sem regras e formalidade. Assim é o projeto “Bulixo”, organizado há dez anos pelo Sesc Arsenal e que se transformou numa tradição da cultura cuiabana.

Todas as quintas-feiras, a partir das 18 horas, o tradicional bairro Porto recebe centenas de visitantes, que se dirigem ao casarão centenário, localizado na Rua 13 de Junho, onde o Sesc Arsenal funciona.

Bulixo, do linguajar "cuiabanês", significa pequeno comércio de venda direta ao cliente, onde se encontram produtos dos mais variados. É o local onde a comunidade se reúne para fazer as compras e se inteirar dos acontecimentos.

O projeto do Sesc Arsenal foi inspirado no antigo "Bulixo do seu João", que sempre tinha de tudo, desde uma simples paçoca de amendoim até querosene. O mais importante eram as notícias e comentários dos acontecimentos do dia, sobre os quais seu João sempre estava informado.

Foi pensando nisso que o Sesc Arsenal criou o Projeto Bulixo. Sua execução cumpre com os anseios da classe artística mais presente no local, e possibilita o resgate da história que muitos já viveram, mantendo a lembrança dos “bulixos”, que fazem falta dentro da cultura cuiabana.

Desde 2003, artesãos, cozinheiros e artistas se reúnem em um espaço que transpira cultura, sabor e muita criatividade.

Culinária 
Um dos pontos fortes do Bulixo são os pratos variados, que vão desde a típica Maria Izabel com farofa de banana, picadinho mineiro, sobá, yakisoba, strogonoff de camarão, paçoca de pilão e banana. Além disso, há muitos doces, como cocada com doce de leite e bombons.

Fabiano Fanaina, o “Parente”, é figura conhecida no Bulixo pelos pratos exóticos. A moqueca de jacaré é um dos carros chefes - o prato é vendido por R$ 15 e faz sucesso.

O cozinheiro disse que, inicialmente, o projeto dele e da esposa, a carioca Rosana, era fazer o nome ficar conhecido para abrir um restaurante.

“Acabou que o projeto de propaganda ficou o nosso projeto central. Aqui é muito bom, temos os nossos fregueses fiéis, que ligam antes e já avisam para deixar tudo pronto. Querem evitar a fila que se forma. Nosso trabalho é muito sério e bem feito, a comida é feita pouca horas antes de ser servida. Os produtos são de primeira qualidade. A culinária é o traço mais marcante de um povo, temos que respeitar isso”, disse.

Rosana, que divide o trabalho com o marido, disse que a venda na feira é muito variada. “Até final de novela, dia de jogo tem influência nas vendas. Quando tem chuva também reduz muito as vendas, mas, em geral, o local está sempre cheio”, observou.

Outra barraquinha que está sempre cheia é a da cozinheira Zilma Pascoal, que serve a tradicional Maria Izabel. “O prato custa R$ 10. Sempre vendemos tudo que trazemos. A comida é caseira e feita com muito carinho. Quem come sempre volta”, completou a cozinheira, que chega a vender 60 pratos por noite.

Artesanato 
Quem procura novidade vai se encantar com os produtos feitos pelos artesãos, que reciclam, pintam e colorem o espaço com uma variedade de produtos.

Gilson é um catarinense, de Florianópolis, que escolheu Cuiabá como lar. Junto com a esposa ele vende os bolsas, carteiras, blusas de crochê e outras belezas que ele mesmo produz.  "Esse espaço é uma das maravilhas que Cuiabá oferece. Temos a oportunidade de ver peças de teatro, filmes, documentários, apresentações musicais, tudo de graça"

Gilson é enfermeiro e faz do artesanato uma segunda fonte de renda Enfermeiro de formação, ele tem no artesanato a expressão de sua criatividade. “Eu ando de ônibus. Ficou até duas horas neles e, nesse tempo, eu vou fazendo as bolsas, bordando. Recebo muitas encomendas e nem sempre consigo atender. Mas, quem tiver paciência de esperar vai ter um produto exclusivo e de qualidade. Os preços são baixo, dez, vinte, trinta, cinquenta reais. Mas, nos ajudam muito a sustentar os três filhos que temos”, explicou.

No Bulixo também tem os panos-de-prato, bordados a mão, com motivos de temas cuiabanos. As encantadoras bonecas de panos, dão a graça ao local.

A religiosidade, forte traço da cultura cuiabana, está marcada nas “Mandalas da Fé”, trabalho que reúne várias técnicas e que conquistou os turistas, que frequentemente visitam a feira.

As Mandalas da Fé são feitas pelo casal Benedito e Enizete. Os valores vão de R$ 50 a R$ 500. “A primeira que fizemos foi para presentear um amigo. Depois disso, começaram a surgir as encomendas. Tive um problema de saúde, que me fez mudar o estilo de vida, resolvi trabalhar com conta própria e hoje vivemos exclusivamente da venda das mandalas”, explicou Enizete.

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