27 de setembro de 2011

POESIA VERSOS E CORDAS apresenta AFINADO DESCONCERTO






AFINADO DESCONCERTO. Textos de Florbela Espanca



Quase como um clichê que se atualiza no tempo, sobre Florbela Espanca pode-se dizer que “é uma mulher desvestida em múltiplos trajes”, daquelas que abdicam de sua singularidade mulher e se arroga o direito ao paradoxo humano. Multifacetada como todos nós, talvez por isso vivamos ainda hoje em suas palavras o que há de intenso no sentimento. Todos sentimos. O espetáculos trata da vida e morte de uma mulher de sentimentos abismais.

28/09 - 15h  e 20h- Teatro - Entrada Franca
Agendamento de grupos pelo telefone: (65) 3616-6922



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Sobre o Projeto:

Há determinados espaços que se criam e que realmente fazem diferença. Diferença no estatuto mental das pessoas, na sensibilidade, na formação, no gosto, no prazer e no lazer. Como se divertir? Como entrar em um determinado evento e sair dele, hora depois, com a sensação de que se está melhor, de que se é melhor do que quando entrou? O escritor japonês Yukio Mishima, em seu livro Sol e Aço, com tradução brasileira de Paulo Leminski, relacionava os cuidados com aparência física do corpo (exterior) com a varanda, o quintal ou jardim de uma casa (interior) afirmando, se bem me lembro, que esse cuidado reflete não apenas o nosso estado d'alma, mas a maneira como nos preparamos para receber e incorporar o mundo e suas coisas. Na ampliação disso, podemos dizer que assim como é importante cuidar da parte física e material de uma cidade, e um estado – entenda-se aqui desde a restauração arquitetônica, revitalização de centros históricos, praças públicas, criação de parques até preservação de matas ciliares, florestas, rios, etc. – é de extrema importância cuidar da parte humana e imaterial. Cuidar do acervo imaginário, sensitivo, amoroso, artístico, subjetivo, do perfil psicológico, do prazer e do lazer, do estado d'alma da população que compõe (não apenas ocupa) este espaço exterior.   

A implantação do Sesc, no antigo Arsenal de Guerra de Cuiabá, é um destes espaços. É inegável que nos vários ramos das artes e da cultura assumiu a centralidade – através de seus projetos/programas em cinema,  artes cênicas, música, artes plásticas e literatura– de oferecer ao público e à população mato-grossense o que de melhor tem se produzido no Brasil e em Mato Grosso. Depois de alguns anos, o quadro cultural e artístico da cidade e do estado é outro, muito em parte pelos projetos e pelas realizações do Sesc Arsenal.

Em particular, o projeto Poesia, Versos e Cordas dá a sua importante contribuição para a literatura brasileira (lembrando-nos que Silva-Freire, Luciene Carvalho, Marilza Ribeiro, Aclyse de Mattos, Marta Cocco e muitos outros estão aqui nesse conjunto). Mais do que isso, Versos & Cordas dá a sua contribuição para a formação de novos leitores e muito provavelmente para a formação de novos produtores. O projeto é simples em sua essência, mas a dimensão de sua realização deve ser considerada bastante complexa e sua eficácia de muitas formas pode ser comprovada. Vale notar que de aporte central literário ele se expande, já logo no título (e nos eventos efetivamente), para dialogar em igualdade com a música. Por vezes, popular (brasileira ou internacional), por vezes erudita. As conexões e diálogos continuam quando temos não apenas músicos e poetas em cena, mas atores, companhias de teatro, amantes da literatura com verve suficiente para nos fazer conhecer e amar ou amar mais (o conhecido) escritores, escritoras e suas obras. 

Às vezes me pergunto se “apenas os eventos em si” têm o poder de transformar determinados quadros sedimentados e enraizados em tradições emperradas e capengas (analfabetismo, falta de leitura, desconhecimento artístico em geral da população etc). Pego-me respondendo do seguinte modo (e creio na resposta): para se combater determinadas tradições, e mudar efetivamente determinados quadros e situações, só a criação de novas tradições que vão de encontro às antigas, combatendo-as e propondo (pondo) novas idéias, práticas e costumes. E somente com a recorrência, a permanência e a regularidade desses eventos é que eles assumem essa força propulsora de mudanças, de engendramento do novo, do atualizado e modificado. É na sucessividade e cotidianização que ele se introjeta como um outro padrão mental possível de vida e de relação com o mundo.  Menos de minhas próprias e incríveis experiências – no Mar (In) Comum (um e dois junto com Marta Cocco) e dialogando poeticamente com Roseana Murray – e muito mais de minhas impressões, sensações e observação como cidadão, professor de literatura e leitor, devo dizer que o Poesia, Versos e Cordas (juntamente com outros projetos/eventos em outras áreas do Sesc Arsenal) exerce e cumpre o papel de re-definidor e renovador do quadro artístico e literário de Cuiabá e do Mato Grosso. Contribui para que o nosso estado d'alma seja melhor...

Cuiabá, 02.03.08.  
Mário Cezar Silva Leite é doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), professor de Literatura Brasileira (no curso de Letras e nos Programas de Mestrado ECCO e MeEL/IL da UFMT)

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