9 de junho de 2011

SESC Arsenal apresenta DRAMATURGIA LEITURAS EM CENA


O projeto “DRAMATURGIA: LEITURAS EM CENA”, promovido pelo – Departamento Nacional do SESC, foi criado para estimular a prática de leitura de textos teatrais. Visa difundir textos inéditos ou consagrados da dramaturgia nacional e mundial, pretendendo instrumentalizar e chamar a atenção de diretores e atores para as potencialidades cênicas – ou novos ângulos – de uma determinada obra.
Estas “Leituras em Cena” que agora se apresentam, são resultantes da Oficina de Dramaturgia ministrada por Eduardo Vaccari (RJ), Doutorando e Mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO. A oficina teve como tema Mecanismos de comicidade: da página ao palco e do palco à página.
Para esta etapa o projeto Dramaturgia Leituras em Cena estará apresentando os textos de Eduardo Pavlovsky, Edward Albee, Plínio Marcos e Roberto Athayde.

PROGRAMAÇÃO:



PAS-DE-DEUX
Eduardo Pavlovsky

Sobre o Autor: Eduardo Pavlovsky nasceu em Buenos Aires, em 1933. Além de dramaturgo, é também ator, médico e psicodramatista. Pavlovsky fez história não somente dentro do teatro argentino, sendo um dos poucos artistas de teatro latino-americano que goza de renome internacional fora do continente. Algumas de suas 27 peças escritas foram publicadas no Brasil no ano passado, dentre elas, PAS-DE-DEUX, que na versão brasileira foi intitulada de PASSO DE DOIS.

A dramaturgia de Eduardo Pavlovsky é, sem dúvida, um dos principais motivos deste exercício de leitura dramática. O poder de sugestão que sua peça evoca, a violência que se multiplica em poesia e que com ela se confunde parece ser um concentrado muito rico das relações humanas do hoje em dia. E ao olhar para este hoje em dia, o que impressiona ainda é a facilidade do rótulo, nos ausentando de qualquer responsabilidade sobre o contato, afinal, tudo pode ser classificado, mesmo que nem se conheça aquilo a se classificar.
Com Pavlovsky, essas atitudes se voltam contra seus autores e reivindicam a eles – e a nós – sua parcela de culpa. Que valores são esses que propagamos sem ao menos compreendermos? Que virtualidade é essa que age sobre nossos relacionamentos e que nos impele à solidão? PAS-DE-DEUX aponta para o óbvio e o desmonta, afinal, nem sempre quem cala consente consente. Nem sempre.

Sinopse: PAS-DE-DEUX (1990) é o sugestivo título (em francês) que faz referência ao que seria a parceria entre bailarinos. Formando um par com seu parceiro, torna-se possível à bailarina saltar mais alto e realizar movimentos que jamais seriam possíveis caso fossem tentados solitariamente. O título sugere de imediato, portanto, uma relação marcada pela dependência e que, na peça, é ainda mais desbravada. Pavlovsky, a partir de dois personagens anônimos (ELE e ELA), fala ao universal: o que vemos é um caso de violência na relação homem/mulher, na relação torturador/torturada.
Em PAS-DE-DEUX estamos diante de um par que chegou ao esgotamento de sua relação. Pavlovsky expõe a violência sexual do homem e sua dependência física e intelectual frente à mulher, que na sua situação de vítima, encontra refúgio em sua própria força psíquica. Enquanto ELE a todo o momento quer se apoderar d’ELA, esta se vinga ao rechaçá-lo, ao não reconhecê-lo e a sequer lhe dar nome. A vítima é destruída fisicamente, mas o torturador não consegue se apoderar de sua palavra. O silêncio – ou, o não-reconhecimento – é a forma pela qual a vítima tortura o torturador.

Atores-Leitores: Karina Figueredo e Maurício Ricardo
Iluminação: Pendro Henrique Brites



14/06/2011 - 20h - Teatro do SESC Arsenal - Entrada Franca


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HISTÓRIA DO ZOOLÓGICO
Edward Albee

Sobre o Autor: Considerado o maior dramaturgo vivo dos EUA, Edward Albee nasceu em 12 de março de 1928, foi adotado ainda bebê pelo casal Reed e Frances Albee, donos de uma cadeia de teatros. Muito da visão crítica sobre a sociedade americana capitalista se dá após sair da casa dos pais, aos 20 anos. Passa a conviver com intelectuais e grupos de vanguarda no bairro de Greenwich Village, em Nova York. Ali se encontravam expoentes da Geração Beat, boêmios e escritores ligados ao Partido Comunista – nesta época, alvo das perseguições e delações do senador Joseph MacCarthy.
Os acontecimentos que puseram os Estados Unidos no topo da história, que os tornaram modelo econômico e social para o resto do mundo serão o elo mais frágil na dramaturgia de Albee. A crítica consagrou, ao longo do tempo, A História do Zoológico (1958), O Sonho Americano (1960), Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1962), Um Equilíbrio Delicado (1966) e Três Mulheres Altas (1991) como os melhores textos do autor.
Em todos, busca mostrar um sistema aparentemente ordenado que entra em ruína pouco a pouco, conforme as personagens tomam consciência das engrenagens que as motivam a estarem ali. Edward Albee rompeu muito cedo com o estilo de vida norte-americano.
A História do Zoológico, que marcará o início da carreira do dramaturgo, será encenada pela primeira vez em Berlim, em 1959.
Albee será ligado, no momento de sua ascensão, ao Teatro do Absurdo. Cunhado em 1961, o termo seria associado a nomes como Albert Camus, o próprio Beckett, Harold Pinter, Jean Genet entre outros. Os artistas intuíram a perda de sentido para todas as ações do homem, que lutavam para se reconstituírem no pós-guerra. Daí o sentimento de absurdo dominar a cena em Esperando Godot (1949), de Beckett. Albee escreve A História do Zoológico nove anos depois.

Sinopse: A peça narra um diálogo conflituoso entre duas pessoas de realidades opostas. O choque entre Jerry, um homem solitário e entediado com a relação que mantém com as pessoas que o cercam na pensão onde mora e o pacato Peter, um homem bem casado e bem-sucedido, marcará para sempre a realidade dos dois.
Eles se encontram em um banco no Central Park, em Nova Iorque, vindo de um passeio no Jardim Zoológico, Jerry aborda Peter, que interrompe sua leitura e começa uma conversa casual, que logo se torna séria. Aparentemente inofensiva, a trama expõe as dores de dois opostos sociais e revela um ponto comum entre ambos: a solidão.

Atores-Leitores:Juliana Capilé e Tatiana Horevicht - Cia Pessoal de Teatro

15/06/2011 - 20h - Teatro do SESC Arsenal - Entrada Franca

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A BALADA DE UM PALHAÇO
Plínio Marcos

Sobre o autor:  “A Balada de um Palhaço” foi a última obra de Plínio Marcos, escrito em 1986, em seu leito de morte, retratando a sua visão sobre a problemática sobrevivência da arte e da profissão artista em um embate entre um universo realista e uma discussão poética da arte. Com uma profunda poesia, discute os valores essenciais do artista (e porque não do ser humano?). Através da relação e conflito dos dois palhaços, se tem um texto que aborda várias das questões mais atuais da arte e sociedade.

Sinopse: O Grupo Tibanaré leva ao palco o consagrado Plínio Marcos com a peça “A Balada de um Palhaço”, que retrata o conflito de Bobo Plin, um palhaço de circo que entra em crise, em busca de sua identidade. O personagem se rebela contra um repertório fixo, copiado, recusando-se a repetir as velhas piadas e procura novos caminhos em busca de sua própria alma, a fim de preencher o vazio de uma existência que ele mesmo percebe medíocre. Em contrapartida, Menelão, diretor do circo, é um palhaço com sentimentos opostos ao do personagem principal, que só pensa nos lucros e em escapar da falência explorando o trabalho de Bobo. 


Direção e Iluminação: Jefferson Jarcem
Musica Cênica: Grupo Tbanaré
Atores-Leitores: Alexandre Cruz, Valter Lara, 
Vini Hoffmann, Watila Fernando e Jeniffer Reis



16/06/2011 - 20h - Teatro do SESC Arsenal - Entrada Franca

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NO FUNDO DO SÍTIO
Roberto Athayde

Sobre o autor: Roberto José Austregésilo de Athayde, conhecido apenas como Roberto Athayde é um dramaturgo e escritor carioca que, aos 21 anos escreveu as chamadas, Peças Precoces. Dentre elas, Apareceu a Margarida, que foi seu único e retumbante sucesso com mais de 200 apresentações, nos mais diversos países. Apareceu a Margarida foi tão bem sucedido que, segundo o autor, terminou por ofuscar seus outros 27 trabalhos dramatúrgicos, alguns ainda inéditos até os dias de hoje. Em uma entrevista, certa vez, Roberto Athayde disse que, seu grande desejo era libertar-se do estigma do Apareceu a Margarida e conseguir que o restante de suas obras também fossem consumidas pelo grande público.Dessa maneira, com a leitura de No Fundo do Sítio, esperamos fazer jus ao seu desejo, desvelando um pouquinho do universo desse autor tão pouco explorado e, de quebra, valorizando um artista genuinamente brasileiro. 

Sinopse: No Fundo do Sítio, é um insólito diálogo entre duas pessoas que foram amigas na infância e se reencontram quarenta anos depois.


Atores- Leitores: Hélio Taques e Mazé Oliveira 


17/06/2011 - 20h - Teatro do SESC Arsenal - Entrada Franca

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