4 de fevereiro de 2011

DRAMATURGIA LEITURAS EM CENA reverencia Caio Fernando Abreu

O projeto “DRAMATURGIA: LEITURAS EM CENA”, promovido pelo – Departamento Nacional do SESC, foi criado para estimular a prática de leitura de textos teatrais. Visa difundir textos inéditos ou consagrados da dramaturgia nacional e mundial, pretendendo instrumentalizar e chamar a atenção de diretores e atores para as potencialidades cênicas – ou novos ângulos – de uma determinada obra.

Estas “Leituras em Cena” que agora se apresentam, são resultantes da Oficina de Dramaturgia com o ator, diretor teatral e professor do Curso de Teatro da UniverCidade Fred Tolipan, realizada em novembro de 2010. Para esta etapa o projeto Dramaturgia Leituras em Cena estará apresentando textos de Caio Fernando Abreu.

LEITURAS:



PODE SER QUE SEJA O LEITEIRO LÁ FORA

08/02 - 20h - Teatro - Entrada Franca

Leitores: Teatro Faces - Primavera do Leste

Sete, diferentes, pessoas encontram uma casa abandonada e resolvem passar a noite fugindo de uma insistente chuva. Nesse pequeno período discutem sobre a vida, suas vontades e medos... A ilusão começa a tomar corpo e as verdades modificadas num borbulhar de emoções e “desemoções”. O pudor do corpo perde o sentido e fica apenas o desejo de ser o que quiser e a liberdade em ser o que se pode ser.

Direção: Wanderson Lana.
Leitores/Atores:Kiko Sontak, Luiz Antônio Freitas, Edilene de Jesus, Yuri Lima Cabral, Ana Paula Dorst, Victor Martins;
Iluminação: Wanderson Lana;
Sonoplastia: André Gadotti, Rafaela Salomão.
Classificação: 16 anos.





REUNIÃO DE FAMILIA

09/02 - 20h - Teatro - Entrada Franca
Leitores: Teatro Urieu

Alice se prepara para uma visita à sua família no interior. Despede-se do marido e do filho. Ela parte, pensando na irmã Evelyn que está precisando de ajuda depois da morte do filho Cristiano, de dez anos, num acidente de carro. Evelyn apresenta sinais de loucura e toda família deverá se reunir para estudar soluções para o problema. Lá chegando, Alice reencontra Aretusa, sua cunhada e antiga amiga de infância, Berta, velha empregada da casa, Evelyn, sua irmã mais nova, Renato, o único irmão, Bruno, marido de Evelyn, e o Professor, patriarca severo de toda a família.Todos se sentam à mesa na hora das refeições, num clima de eterna discórdia, quando são lançados insultos e acusações. Mesmo assim, na próxima refeição todos estarão ali, sentados à mesa. Numa mistura de revelações de cunho homossexual e de traição, as diversas personagens se torturam mutuamente. No final, todos parecem mais leves e prontos para retornarem aos seus próprios infernos familiares.

Leitores/Atores: Adrielly Moraes, André Moraes, Carol Brandão, Fernando Assunção, Gisah Moraes, Maicon D' Paula
Direção de Cena: Teatro Urieu
Sonoplastia/Iluminação/Maquiagem/Produção/Cenografia: Teatro Urieu
Classificação: 16 anos.



A MALDIÇÃO DO VALE NEGRO


15/02 - 20h - Teatro - Entrada Franca
Leitores: Pessoal do Ânima 

A Maldição do Vale Negro conta a trajetória de Rosalinda, ingênua jovem que vive em um castelo, sob o rígido controle de seu tio, o Conde Maurício e da pervérsa governanta Ágatha, ambos personagens que guardam um segredo que pode mudar a vida da garota. 
A história se passa no ano da graça de 1834, no Vale Negro, província de Castelfranc, um lugar cercado de mistérios, segredos e maldições.

Leitores/Atores: Ana Rosa Fagundes, Monique Gomes, Eduardo Butakka,  Thyago Mourão, 
Daniel Tetilla, Danyellë Sardinha, Jeferson Ray, Danilo Lobato.
Sonoplastia/Iluminação/Maquiagem/Produção/Cenografia: Pessoal do Ânima
Classificação: 16 anos




O HOMEM E A MANCHA


16/02 - 20h - Teatro - Entrada Franca
Grupo de Intervenção Artística Unidos do Parque Geórgia

Em O Homem e a Mancha, como em todo grande drama, o personagem singular ou problemático que se afasta do seu papel e até mesmo o desafia fornece o componente essencial para a ação dramática. Hamlet não se adequa nem ao seu papel como vingador nem à sua função como príncipe. Abreu toma como seu ponto de partida um personagem notoriamente incapaz de cumprir o papel que ele mesmo se atribuiu, Dom Quixote; a partir daí, pratica experimentos com a alienação brechtiana. O texto  é comovente devido à sua possível dimensão autobiográfica. Um dos heterônimos do personagem –o mais perturbador– é “o Homem da Mancha” que está histericamente à procura de “manchas” e se apavora especialmente com a possibilidade de manchas púrpuras ou corpóreas, onde o personagem que vive encontrando manchas, referências ao HIV que ele pode ter contraído. A última peça de Abreu mostra que o teatro lida com significados e mensagens, aquilo que lhe dá qualidade artística  não é o seu conteúdo, mas o seu afeto, com uma força ou estilo sensível, através do qual produz seu conteúdo. 

Direção: Yandra Firmo
Leitores/Atores: Andreza Moraes Branco Leria, Jansen Thiago, Claudio Dias e Yandra Firmo.
Som e Luz: Grupo de Intervenção Artística Unidos do Parque Geórgia
Ambientação Cênica e Figurino: Grupo de Intervenção Artística Unidos do Parque Geórgia
Classificação: 16 anos

SOBRE CAIO FERNANDO ABREU


Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago (RS). Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas (SP). Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris.Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo.

Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde faleceu no dia 25 de fevereiro de 1996.

Nenhum comentário:

Postar um comentário